Vazante segue dentro da normalidade; SGB monitora possível influência do El Niño

A vazante dos rios no Amazonas segue dentro do comportamento esperado para esta época do ano. De acordo com o Serviço Geológico Brasileiro (SGB), os níveis observados ao longo da calha do Rio Amazonas permanecem próximos da média histórica, sem indicativos de uma seca severa.

Vazante do Rio Negro segue dentro da normalidade, mas especialistas monitoram possível influência do El Niño.

Apesar do cenário de estabilidade, especialistas acompanham a possível influência do fenômeno El Niño nos próximos meses. Segundo o pesquisador do SGB, André Martinelli, todas as estações monitoradas apresentam níveis compatíveis com o período.

“Os níveis estão muito próximos da média das séries históricas. Hoje, a gente tem um movimento de normalidade para toda a calha. Tivemos uma descida mais acentuada na bacia do Rio Branco, mas ainda assim dentro da normalidade. As estações de Tabatinga, Manaus, dos principais afluentes do Madeira e do Baixo Amazonas, como Itacoatiara, Parintins e Óbidos, apresentam nível normal para a época.”

Dados mais recentes do Porto de Manaus mostram que o Rio Negro atingiu a cota de 27,84 metros na última sexta-feira. A descida ocorre de forma gradual, com reduções diárias entre 1 e 5 centímetros nas últimas semanas, sem sinais de aceleração da vazante. O comportamento acompanha a avaliação do Serviço Geológico Brasileiro, que aponta níveis próximos da média histórica para o período.

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Apesar da normalidade, o SGB mantém o monitoramento da vazante por causa da possível formação do El Niño.

“A gente precisa estar atento à influência que esse possível El Niño pode trazer. Ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa sobre a magnitude da vazante. Essa avaliação deve ficar mais clara entre o fim de agosto e o início de setembro. Por enquanto, não existe nenhum tipo de alerta.”

Enquanto os órgãos técnicos acompanham a evolução do cenário hidrológico, quem depende dos rios para trabalhar também mantém atenção redobrada. O barqueiro Rogério Silva, da Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi, afirma que os dois últimos anos transcorreram sem grandes dificuldades, mas lembra os prejuízos provocados pela seca histórica de 2023.

“Há dois anos está tranquilo. A última grande seca foi a que nos deixou 90 dias parados na nossa rota até a comunidade. Agora estou guardando um dinheiro para o caso de acontecer de novo. Se vier outra seca muito forte, ela prejudica a renda de todo mundo e traz muito prejuízo.”

O Serviço Geológico Brasileiro informou que continuará o monitoramento diário dos níveis dos rios e divulgará novos boletins conforme a evolução da vazante nos próximos meses.

Yuri Bezerra, Rádio Rio Mar

Foto: Imagem ilustrativa/ Gerada por IA

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