Por Mário Ricardo – Especialista em Gestão de Trânsito

O trânsito em Manaus permanece em situação de atenção no primeiro semestre de 2026. Entre os meses de janeiro e junho, foram registradas 126 vítimas fatais, contra 124 no mesmo período de 2025, representando um aumento de 1,61%. Embora o crescimento percentual tenha sido discreto, o número absoluto de mortes continua elevado e evidencia que os desafios relacionados à segurança viária permanecem exigindo ações integradas de prevenção, fiscalização, educação e melhoria da infraestrutura.
Cada vida perdida representa uma história interrompida e uma família marcada por consequências irreparáveis. Esses números reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à preservação da vida no trânsito.
Quantidade de Sinistros
Nos seis primeiros meses de 2026, os registros oficiais do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) apontam que janeiro contabilizou 21 vítimas fatais, fevereiro também registrou 21 mortes, março apresentou o maior número de óbitos do semestre, com 25 vítimas, abril registrou 22 mortes, maio contabilizou 23 e junho encerrou o período com 14 vítimas fatais, totalizando 126 óbitos.
ANÁLISE QUANTITATIVA
Tabela 1: Comparativo de Vítimas Fatais (Janeiro a Junho – 2025 x 2026)


Comparativo das vítimas fatais registradas entre janeiro e junho de 2025 e 2026.

Gráfico A: Representação visual do salto estatístico de óbitos no primeiro Quadrimestre.
DETALHAMENTO POR CATEGORIA
Aumento das Vítimas Fatais
Embora o aumento registrado em relação ao mesmo período de 2025 tenha sido de 1,61%, o número de vítimas fatais permanece elevado e demonstra que as ações atualmente desenvolvidas ainda não têm sido suficientes para reduzir significativamente a violência no trânsito.
Grande parte desses sinistros está relacionada a comportamentos inseguros adotados pelos próprios condutores. Entre os principais fatores de risco destacam-se o excesso de velocidade, a desatenção ao volante, a condução sob efeito de álcool e a participação em corridas ilegais (“racha”). Essas condutas colocam em risco não apenas a vida do motorista, mas também de passageiros, pedestres, ciclistas e demais usuários das vias públicas.
A perda de uma vida no trânsito gera impactos que ultrapassam os números estatísticos, atingindo famílias e comunidades inteiras. Por isso, cada atitude responsável no trânsito representa uma oportunidade de preservar vidas.
Vítimas Lesionadas.
Além das vítimas fatais, os sinistros de trânsito continuam provocando um elevado número de pessoas lesionadas. Até o final de junho de 2026, o sistema público de saúde do Amazonas registrou mais de 13 mil atendimentos relacionados a ocorrências de trânsito.
Somente no mês de junho foram realizados 1.077 atendimentos, sendo 689 envolvendo motocicletas, 53 automóveis, 33 atropelamentos e 302 relacionados a outras modalidades de sinistros, dos quais aproximadamente 80% ocorreram na cidade de Manaus.
Esses números evidenciam o enorme impacto causado pelos acidentes sobre o sistema público de saúde, gerando elevados custos sociais, econômicos e assistenciais. Atualmente, estima-se que cerca de 75% dos leitos destinados ao atendimento de traumas sejam ocupados por vítimas de sinistros de trânsito.
Tabela 2: Natureza dos Sinistros com Vítimas Fatais (Janeiro a Junho de 2026)


Gráfico B: Distribuição das vítimas fatais segundo a natureza do sinistro..
Tabela 3: Distribuição das Vítimas Fatais por Zona da Cidade


Gráfico C: Distribuição percentual das vítimas fatais por zona da cidade de Manaus.
PROPOSTAS E CONCLUSÃO
Proposta
Diante desse cenário, propõe-se a realização de um Fórum Permanente sobre Mobilidade Urbana, Segurança Viária e Multimodalidade, reunindo representantes do poder público, instituições de ensino, especialistas, entidades da sociedade civil e iniciativa privada.
O objetivo é discutir soluções integradas para fortalecer a segurança viária, revisar estratégias de mobilidade urbana e contribuir para a construção de políticas públicas mais eficientes, humanas, sustentáveis e voltadas à preservação da vida.
Educação e Conscientização no Trânsito
Considerando que a Zona Leste concentrou 33,06% das vítimas fatais registradas no primeiro semestre de 2026, recomenda-se que as ações educativas, campanhas de conscientização, reforço da fiscalização e melhorias na infraestrutura viária sejam priorizadas nessa região, sem prejuízo da ampliação dessas iniciativas para as demais zonas da cidade.
Projetos permanentes de educação para o trânsito, aliados ao fortalecimento da fiscalização e da engenharia de tráfego, são fundamentais para promover uma cultura de respeito às leis e de valorização da vida.
Responsabilidade Coletiva.
O Projeto “Me Sinto Seguro” reforça que a construção de um trânsito mais seguro depende da participação de toda a sociedade. A proposta envolve atuação integrada dos órgãos de fiscalização, ampliação da fiscalização eletrônica, ações educativas em escolas, empresas, condomínios, igrejas, universidades e meios de comunicação, formando uma verdadeira rede de proteção à vida.
Conclusão.
Os dados apresentados demonstram que, embora o aumento das mortes em comparação ao primeiro semestre de 2025 tenha sido de 1,61%, os índices permanecem elevados e exigem atuação contínua e integrada do poder público e da sociedade. Reduzir a violência no trânsito depende da combinação entre educação, fiscalização, engenharia viária, planejamento urbano e responsabilidade individual. Manaus possui todas as condições para tornar-se referência nacional em mobilidade segura. Essa
transformação começa pelas escolhas de cada cidadão. Afinal, a pressa nunca será mais importante do que a vida.