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Saneamento em Manaus: universalização dos serviços é desafio para os próximos anos

Ampliação da rede de esgoto, investimentos em áreas de difícil acesso e adesão da população estão entre os desafios para alcançar as metas previstas até 2033.

Obras de implantação da rede de esgotamento sanitário na zona leste de Manaus. Foto: Reprodução/Águas de Manaus.

Ter água tratada em casa transforma a rotina das famílias e contribui para a saúde e a qualidade de vida. No bairro Coroado, na zona leste de Manaus, a empresária Steila Matos lembra das dificuldades que enfrentava na infância, quando a água que chegava à torneira era suja e apresentava coloração escura.

“A realidade naquela época era de muita dificuldade. A gente recebia uma água sem qualidade nenhuma. Muitas vezes, vinha com barro, muito escura. Eu tenho duas memórias muito marcantes da minha infância. Minha mãe precisava amarrar um saquinho de pano na boca da torneira para tentar filtrar a sujeira, e o pano ficava totalmente marrom. A outra é que, para lavar minha farda da escola, que era uma blusa branca, ela precisava usar anil na água. Como a água era muito amarelada, se ela não usasse anil, a roupa saía parecendo suja, encardida”, recorda Steila.

Hoje, à frente de um restaurante, a empresária destaca a importância da água tratada para o preparo dos alimentos, a limpeza do estabelecimento e as tarefas domésticas. Segundo ela, a melhoria no abastecimento trouxe mais segurança para a família.

“A mudança na nossa rotina, depois que a água passou a ser tratada e limpa, foi enorme. Mudou a nossa saúde. Hoje, a gente abre a torneira e sabe que tem uma água de qualidade para lavar louça, cozinhar, lavar as roupas sem estragar e tomar banho sem medo de contaminação”, afirma.

Saneamento básico e qualidade de vida

Além do abastecimento de água potável, a coleta e o tratamento de esgoto são fundamentais para prevenir doenças, preservar o meio ambiente e melhorar as condições de vida da população.

A gerente de Responsabilidade Social da Águas de Manaus, Simone Dias, destaca os impactos do saneamento em diferentes áreas, como saúde pública, educação e meio ambiente.

“Com o saneamento, a gente melhora os indicadores de saúde pública e menos pessoas ficam doentes. A cada real investido em saneamento básico, economizamos quatro reais em saúde pública. Na educação, quando as crianças têm acesso ao saneamento, também deixam de ficar doentes. Os pais deixam de faltar ao trabalho. Com saneamento básico, recuperamos os igarapés. A cidade fica muito mais limpa e saudável”, explica.

Obras de implantação da rede de esgotamento sanitário na zona leste de Manaus. Foto: Reprodução/Águas de Manaus.

Rede de esgoto ainda é um desafio

Apesar dos avanços no abastecimento de água, a expansão da rede de esgoto ainda representa um desafio para Manaus, principalmente em áreas de difícil acesso, como becos, palafitas e regiões próximas a igarapés.

Segundo Simone Dias, as características geográficas da capital exigem soluções específicas para a implantação dos sistemas de água e esgoto.

“Manaus é uma cidade que tem muitas ladeiras, muitos morros e é cortada por igarapés. Na hora de planejar os investimentos em água e esgoto, a gente precisa considerar tudo isso. Muitas vezes, não é com a engenharia tradicional, convencional, que vamos conseguir executar essas obras. Por isso, precisamos ter nossa equipe técnica pensando em como passar uma rede no meio de um igarapé, em uma área de becos ou de rip-rap”, afirma.

Ouça esta reportagem em áudio:

Metas para o saneamento até 2033

De acordo com a concessionária Águas de Manaus, 98% da população da capital já tem acesso ao abastecimento de água potável, o que representa mais de dois milhões de pessoas. Já a cobertura de esgotamento sanitário chega a 42%.

As metas previstas para 2033 são alcançar 99% de cobertura no abastecimento de água potável e 90% na coleta e no tratamento de esgoto. Para ampliar os resultados, a concessionária também destaca a importância da adesão dos moradores à rede de esgotamento sanitário disponível.

“A partir do momento em que a gente instala e implanta esse sistema de esgoto, a população precisa aderir. Hoje, com 42% de cobertura disponibilizada, a população já pode se interligar ao sistema. Com isso, começamos a colher os resultados dos investimentos para a sociedade e para o meio ambiente. Todo mundo precisa estar junto nesse processo”, ressalta Simone.

A universalização do saneamento básico em Manaus depende da continuidade dos investimentos, de soluções para as áreas de difícil acesso e da participação da população. A ampliação dos serviços é fundamental para reduzir os riscos à saúde, preservar os igarapés e garantir melhores condições de vida aos moradores da capital amazonense.

Yuri Bezerra, Rádio Rio Mar