O período de férias escolares tende a aumentar o uso de telas entre crianças e adolescentes. Mais tempo livre, mudanças na rotina e a necessidade de conciliar trabalho e cuidados com os filhos fazem com que celulares, tablets, videogames e televisores se tornem aliados frequentes dos responsáveis.

Férias escolares e excesso de telas: especialista alerta para impactos no sono, na criatividade e nas relações familiares. Foto: Feito por IA.
O problema, segundo especialistas, começa quando o uso deixa de ser pontual e passa a ocupar grande parte do dia, criando hábitos difíceis de reverter. Para a educadora Paloma Silva, o excesso de telas impacta diretamente a criatividade e a capacidade de brincar de forma simbólica.
“O excesso de telas interfere também no sono, no humor e nas relações familiares. Ele acaba, querendo ou não, substituindo o contato humano. Então, nesse período, as crianças passam bastante tempo sozinhas. Alguns sinais importantes que você tem que ficar observando são: irritação ou agressividade quando a tela é retirada; dificuldade de concentração; alteração no sono; isolamento; desinteresse por atividades que antes a criança sentia muito prazer; e queda no diálogo com a família. E aí, quando o celular se torna a única ferramenta para acalmar aquela criança, isso já é um sinal de atenção”, disse.
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Férias escolares e excesso de telas: especialista alerta para impactos no sono, na criatividade e nas relações familiares. Foto: Arquivo Pessoal.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o ideal é limitar a exposição de acordo com a faixa etária: nenhuma tela para crianças menores de 2 anos; até 1 hora por dia entre 2 e 5 anos, sempre com a presença de um adulto; até 2 horas diárias para crianças de 6 a 10 anos; e até 3 horas por dia para adolescentes de 11 a 17 anos. Estabelecer regras, definir horários e reduzir gradualmente o tempo de uso ajuda a evitar conflitos.
“Acredito que a forma saudável de as crianças terem acesso às telas, é por meio do monitoramento. Então, você pode controlar o tempo, né? Por exemplo: você tem uma hora no celular, vai assistir a esse filme, mas depois vai brincar. Não deixar que as telas venham a ser o centro das férias, né? Mas que também haja a convivência em casa, com a família, atividades ao ar livre, e é importante que a família ou o responsável participe. E também, quando o adulto reduz o tempo de tela, a criança vê isso como um modelo. Ela entende que é importante não passar tanto tempo no celular”, comentou.
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O equilíbrio entre o uso de telas e outras atividades é fundamental para garantir férias mais saudáveis, com aprendizado, lazer e convivência familiar.
Yuri Bezerra, Rádio Rio Mar