O negacionismo durante a pandemia de Covid-19 fez a expectativa de vida da população amazonense diminuir em 5,84 anos. Isso é o que concluiu a análise nacional do Estudo Carga Global de Doenças, maior pesquisa mundial sobre o impacto das doenças e fatores de risco nas populações de mais de 200 países.
O documento completo está na edição de maio da revista The Lancet Regional Health – Americas.
Os pesquisadores que participaram do levantamento concluíram que esse retrocesso é resultado da postura negacionista do governo federal do Brasil na época.
“As autoridades enfraqueceram as orientações científicas – rejeitando o distanciamento social, disseminando desinformação, promovendo medicamentos sem eficácia comprovada, atrasando a aquisição de vacinas, sob a justificativa de que isso protegeria o país de um colapso econômico”.
A pesquisa mostra que, apesar de a queda na expectativa de vida ter chegado a uma média de 3,4 anos em todo o país, há diferença significativa entre os números por Estados.
Em Rondônia a expectativa diminuiu em mais de 6 anos e em Roraima reduziu em 5,67 anos. No Nordeste, por outro lado, Maranhão (1,86 ano), Alagoas (2,01 anos) e Rio Grande do Norte (2,11 anos) tiveram as menores quedas na expectativa de vida.
De acordo com o estudo, isso se deve ao fato de os governadores da região terem adotado com mais firmeza as medidas de contenção recomendadas por cientistas e autoridades sanitárias.
“Na ausência de coordenação nacional, os governos estaduais do Nordeste formaram um consórcio com um comitê científico independente que implementou estratégias”.
O documento cita, por exemplo, o distanciamento social, o fechamento de escolas e comércios, a obrigatoriedade do uso de máscaras, políticas de proteção aos trabalhadores e sistemas de dados em tempo real.
A pesquisa identificou também que, apesar do retrocesso durante a pandemia, o Brasil teve ganhos em saúde em uma análise maior de tempo.
De 1990 a 2023, a expectativa de vida subiu 7,18 anos e a mortalidade padronizada por idade, um indicador que nivela os efeitos do envelhecimento, caiu 34,5%.
Da mesma forma, o índice que mede os anos saudáveis perdidos por morte ou doença reduziu 29,5%.
Diversos fatores são apontados como responsáveis por essa evolução, como melhorias na qualidade de vida, incluindo avanço do saneamento básico e crescimento econômico.
Fonte: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil
