Artigo: Violência no trânsito permanece em alerta máximo e exige medidas urgentes

Manaus segue enfrentando um cenário preocupante de violência no trânsito

Dados consolidados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) apontam que a capital amazonense registrou 168 vítimas fatais em sinistros de trânsito entre janeiro e agosto de 2026, contra 165 no mesmo período de 2025. O resultado representa um aumento de 1,82% no número de mortes.

Os números reforçam a necessidade de ampliar as ações de prevenção, fiscalização e educação para o trânsito. Para o professor Mário Ricardo, mestre em Engenharia e representante do Observatório Nacional de Segurança Viária no Amazonas, o crescimento das mortes demonstra que as medidas adotadas ainda precisam ser fortalecidas.

Cada número representa uma vida interrompida e uma família que passa a conviver com uma ausência irreparável. A segurança no trânsito precisa ser tratada como uma responsabilidade coletiva.

Agosto encerra período com 18 mortes

De acordo com o levantamento, foram registradas 21 mortes em janeiro, 21 em fevereiro, 25 em março, 22 em abril, 23 em maio, 16 em junho, 22 em julho e 18 em agosto.

Março apresentou o maior número de vítimas fatais do período, com 25 mortes. Na comparação com 2025, os maiores aumentos ocorreram em fevereiro, com crescimento de 50%, e janeiro, com 40%.

Embora alguns meses tenham apresentado redução, o resultado acumulado mostra que a violência no trânsito permanece em um patamar preocupante.

Imprudência continua entre os principais fatores de risco

Entre os comportamentos que contribuem para a ocorrência de sinistros estão o excesso de velocidade, a falta de atenção, o consumo de álcool e a prática de rachas.

Segundo Mário Ricardo, a mudança de comportamento precisa estar no centro das políticas de segurança viária.

Uma simples distração pode ser fatal. Antes de acelerar, ultrapassar de maneira indevida ou dirigir sob efeito de álcool, é preciso lembrar que existe uma vida esperando por aquela pessoa em casa, destaca.

Quedas de motocicleta apresentam alta significativa

O levantamento também revela diferenças importantes de acordo com a natureza dos sinistros fatais registrados entre janeiro e agosto de 2026.

As colisões aparecem com 62 ocorrências, seguidas pelos atropelamentos, com 44, quedas de motocicleta, com 31, e choques contra objeto fixo, com 20 registros.

Entre as categorias analisadas, as quedas de motocicleta apresentaram a maior tendência de crescimento, com alta de 47,62%, enquanto os atropelamentos registraram redução de 21,43%.

Zonas Leste e Norte concentram mais da metade das mortes

Outro dado que chama atenção é a distribuição das vítimas fatais pelas diferentes zonas da cidade.

A Zona Leste concentra 50 mortes, correspondendo a 29,76% do total. Em seguida aparece a Zona Norte, com 45 vítimas, ou 26,79%.

Juntas, as duas regiões concentram 56,55% das mortes registradas, representando mais da metade das vítimas fatais do trânsito de Manaus no período analisado.

Para o professor Mário Ricardo, os números indicam a necessidade de priorizar essas regiões nas estratégias de educação, fiscalização e prevenção.

Quando identificamos onde estão concentrados os maiores índices de sinistros fatais, temos uma oportunidade de direcionar recursos e ações de forma mais estratégica. As zonas Leste e Norte precisam receber atenção especial, sem deixar de atuar em toda a cidade, afirma.

Educação e mobilização social são apontadas como caminhos

Diante do cenário, Mário Ricardo defende a realização de um Fórum de Debates sobre Mobilidade Urbana, Multimodalidade e Trânsito, reunindo representantes do poder público, especialistas e sociedade civil.

A proposta é promover um amplo debate sobre mobilidade e segurança viária e contribuir para a construção de um planejamento urbano mais eficiente, humano, consciente e sustentável.

Outra iniciativa apresentada é o projeto “Me Sinto Seguro”, que busca ampliar a participação da sociedade na construção de uma cultura de segurança no trânsito.

A proposta envolve órgãos públicos, empresas, famílias, escolas, condomínios, igrejas e veículos de comunicação, fortalecendo uma rede de conscientização e prevenção.

“Precisamos colocar a vida no centro das decisões”

Para Mário Ricardo, a transformação do trânsito de Manaus depende da participação conjunta do poder público e da sociedade.

A cidade precisa sair do anonimato e se tornar protagonista na construção de um trânsito mais seguro. A pressa não pode ser maior do que a prudência, e nenhum compromisso pode ser mais importante do que voltar para casa com segurança, ressalta.

A mensagem defendida pelo projeto Desacelera Manaus é direta: “Pilote e dirija por quem te espera em casa.”

Sobre o professor Mário Ricardo

Mário Ricardo é mestre em Engenharia, representante do Observatório Nacional de Segurança Viária no Amazonas e professor da Escola Pública de Trânsito do Estado do Amazonas (EPTRAN-AM).

É idealizador e fundador do projeto Desacelera Manaus, iniciativa voltada à conscientização e à promoção de um trânsito mais humano, seguro, sustentável e funcional.

Também atua na comunicação como apresentador do programa de rádio Desacelera Manaus, do quadro de TV Desacelera Amazonas e do Portal Desacelera Manaus, utilizando os meios de comunicação como ferramentas de educação e mobilização para a segurança viária.

Fotos: Reprodução/Redes Sociais