Um dia sem mortes por Covid-19: uma luz de esperança a ser cuidada

Editorial Por Luis Miguel Modino*

Pela primeira vez em 16 meses, nesta terça-feira, 6 de julho, o Estado do Amazonas não teve nenhuma morte por coronavírus. Podemos dizer que essa é uma grande notícia, uma das melhores notícias dos últimos meses, algo que é um sinal de esperança no meio de tanta dor e sofrimento, que já acabou com a vida de ao menos 13.349 amazonenses.

Ninguém sabe o que vai acontecer daqui para frente, mas se faz necessário tomarmos consciência de que o vírus será superado na medida em que a gente assuma o cuidado coletivo como prioridade fundamental. Para isso temos que ter solidariedade e empatia, entender que existem elementos que podem ajudar a superar a pandemia.

Um deles é a vacina, que está sendo aplicada em grande quantidade no Estado do Amazonas, mas que, incompreensivelmente alguns se negam a receber, ignorando que sua decisão prejudica nem só eles como os outros, especialmente as pessoas com quem eles têm uma convivência mais próxima. A gente sabe que uma maçã podre pode fazer com que todas as outras apodreçam.

O cuidado coletivo, ainda mais em uma sociedade onde cada vez mais é colocado na cabeça da gente que o outro é um inimigo, é uma atitude fundamental a ser assumida e testemunhada. Não podemos esquecer que a ciência, sim a ciência, isso que muitos se empenham em negar seu valor e importância, diz que no processo evolutivo, os seres humanos começaram a serem considerados como tais quando deram sinais evidentes de cuidado com os outros.

Aquele que não cuida do outro não pode ser considerado um ser humano, pois a animalidade ocupa uma porcentagem maior no seu ser do que a humanidade. Infelizmente podemos dizer que ainda tem muito animal que diz ser humano, mas de fato não é. O ser humano tem que ser solidário e mostrar empatia para ele ser considerado como tal.

Cultivar e promover essas atitudes que fazem parte do convívio social, especialmente nas nossas famílias, se faz algo inadiável. Quando a solidariedade e a empatia se tornam presentes na vida da gente, vamos percebendo que a felicidade e a alegria começam a tomar conta de nós. O mundo se torna melhor, e não podemos esquecer que fazer realidade um mundo melhor para todos e todas deve ser uma preocupação sempre presente na vida da gente.

O que eu devo fazer para que assim seja? Como colaborar para que o cuidado coletivo, a solidariedade, a empatia se tornem atitudes mais presentes na minha vida e na vida daqueles mais próximos da gente? Como deixar para trás a dor e o sofrimento que tem estado tão presentes no meio de nós nos últimos meses?

O fato de vivenciar um dia sem mortes no Estado do Amazonas vítimas da Covid-19 é algo que deve ser motivo de gratidão, mas também de toma de consciência de que é possível superar a pandemia e que isso depende da gente. É só entender e assumir que o cuidado coletivo, a solidariedade e a empatia é o caminho a seguir.

Ouça:

*Missionário espanhol e Assessor de Comunicação do Regional Norte 1 da CNBB