Ser sinal de esperança, de cuidado com a vida, de Ressurreição, no meio da pandemia

Editorial Por Luis Miguel Modino*

Cuidar da vida, ser sinal de esperança, se torna um desafio para a humanidade, mas especialmente para quem quer caminhar como discípulo e discípula de Jesus Cristo. Nos aproximamos de um momento importante na vida das famílias, o dia dos Finados, uma data que cobra especial relevância neste tempo de pandemia, que tantas mortes tem provocado. Nos oito municípios que fazem parte da arquidiocese de Manaus, oficialmente já faleceram mais de 3 mil pessoas em consequência do coronavírus, um número que se suspeita ainda maior, dada a subnotificação existente.

São muitas as famílias que tem visto como nos últimos meses a morte se fez presente no meio deles, de maneira inesperada, provocando impotência e dor frente a uma situação desconhecida. Lembrar essas pessoas, que são bem mais do que números, é uma obrigação para nossa sociedade, também para nós como católicos. Muitos deles faleceram em decorrência de um sistema de saúde falido, sucateado, que se vê ameaçado por decretos que tentam tirar do povo, especialmente dos mais pobres, um direito garantido pela Constituição brasileira, do qual o povo tem disfrutado a través do Sistema Único de Saúde.

Nossa arquidiocese de Manaus, uma ideia que tem sido acolhida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, sendo proposta para desenvolve-la no país todo, lançou para o dia dos Finados uma campanha com a que pretende que as comunidades iniciem a celebração nesse dia plantando uma árvore. É um modo de lembrar quem tem ido embora nos últimos meses, muitos sem a despedida dos familiares e amigos, inclusive de lembrar quem morreu no anonimato, e quem sabe, até sozinhos.

Essa campanha consiste em plantar uma árvore no início das celebrações nas paróquias e comunidades. Junto com isso convidar as famílias para plantarem mudas de árvore, numa campanha que deve continuar até a festa da Imaculada, padroeira da nossa arquidiocese de Manaus. As árvores querem ser um sinal profético diante dos desmatamentos e queimadas, uma realidade que atinge gravemente nossa Amazônia.

Nesta semana, nossa arquidiocese comemorava com uma celebração o aniversário da clausura da Assembleia Sinodal do Sínodo para a Amazônia, que nos convidou a fazer realidade novos caminhos para a ecologia integral, um pedido que está sendo reforçado com a celebração do Ano Laudato Si´, que lembra o quinto aniversário da encíclica do Papa Francisco. Nessa celebração, nosso arcebispo Dom Leonardo, nos lembrava que tudo está interligado e a necessidade de uma Igreja encarnada na realidade da Amazônia.

Nesse sentido, lembrando o expressado pelo arcebispo, somo chamados a aprender a anunciar o Evangelho dentro das espiritualidades dos povos da Amazônia, profundamente ligados com o cuidado da vida e da Mãe Terra. Não podemos esquecer que o Sínodo quis nos mostrar que estamos nessa realidade amazônica, onde queremos viver o Evangelho e ser presença do Reino de Deus, que sempre é transformador. Na realidade atual, onde a imagem tem se tornado motivo de reflexão, sejamos sinal de vida e de esperança no meio das situações de morte, que nunca pode ter a última palavra.

Ouça: 

*Missionário espanhol e membro da equipe de comunicação da REPAM – Rede eclesial Pan Amazônica.