O julgamento dos réus acusados das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Philips foi transferido para Manaus, segundo decisão da Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). O acórdão, assinado na última terça-feira (3), destaca que há dúvida sobre a imparcialidade do júri.
Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição na terra indígena Vale do Javari, que abrange os municípios de Guajará e Atalaia do Norte. Eles foram vistos pela última vez em junho de 2022.
A ação penal apura o homicídio qualificado e a ocultação de cadáver. Nela, estão sendo julgados: Amarildo da Costa Oliveira, preso por ameaçar indígenas que participavam das buscas pelos corpos e por estar em posse de munições de uso restrito e permitido; Jefferson da Silva Lima que, segundo a investigação, teve participação direta no crime, desde a emboscada até a ocultação dos corpos.
O terceiro réu, Oseney da Costa Oliveira, aguarda a finalização do julgamento do caso em prisão domiciliar, com monitoração eletrônica. Ele é irmão de Amarildo e teria ajudado a fazer uma emboscada e cometer o crime contra as vítimas.
A decisão da Justiça foi unânime e atendeu a um pedido feito em julho de 2025, que solicitava a retirada do júri de Tabatinga. O entendimento é de que o contexto social e criminal da região inviabiliza a realização de um julgamento isento.
Conforme a relatora do caso, desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, Tabatinga está localizada em uma região de tríplice fronteira marcada por conflitos locais, atuação de facções criminosas e histórico de violência. Com isso, o processo foi encaminhado para a Seção Judiciária do Amazonas, em Manaus.
Com informações da assessoria
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