Familiares que perderam alguém para a Covid-19 lembram sofrimento da pandemia e saudade

Francisca Fortes levou flores para o túmulo da mãe Maria Oliveira, que morreu no dia 18 de janeiro de 2021, vítima da Covid-19, em meio a falta de oxigênio nos hospitais de Manaus. “Ela já tinha 78 anos, mas estava bem. Em três dias que testou positivo, faleceu. Ela deu entrada no João Lúcio no domingo, às 17h, quando foi 3h30 da madrugada ligaram para dizer que ela tinha vindo a óbito”, contou.

Todos os familiares que moravam com Dona Maria também adoeceram e um deles teve que ser tratado fora do Estado.

Amanda Ribeiro perdeu a mãe, dona Maria Ribeiro, também em meio à crise do oxigênio. Tudo muito rápido, do diagnóstico até o sepultamento. “Uma pessoa sadia, boa de saúde, de uma hora para a outra se acabou e morreu. Mas graças a Deus está acabando, né. Estão chegando as vacinas, não deu tempo de ela tomar a vacina”

E hoje ela lembra que estamos vencendo a pandemia, mas ainda não chegamos ao fim. “Continuem usando máscara, álcool gel, porque ainda não acabou. Agora é só saudade, a lembrança”.

Apesar de toda a dor, a fé ajuda dona Francisca a seguir. O que fica é a saudade e as boas lembranças.  “A gente não consegue esquecer não, é a mãe da gente, pessoa que criou, educou, fez tudo. Eu procuro ver as fotos dos momentos felizes, ela gostava de ir para o show dos meus sobrinhos Matheus e Daniel, ela gostava. Foi difícil aceitar”.

No cemitério Nossa Senhora Aparecida, no Tarumã, está a Maioria das mais de 13.700 vítimas da Covid-19 do Estado. Naquela área gigantesca, cada espaço tem uma família que poderia não estar sentindo a falta de um irmão, mãe, pai, amigo, filho… A dona Maria de Souza perdeu o filho caçula de apenas 17 anos. Vítima da Covid-19 no dia 14 de maio, Pedro não sobreviveu até a chegada da vacina para os adolescentes.

“Ele começou a dizer que estava com dor de cabeça. À noite ele piorou e disse – mãe, me leva para o hospital, não estou me sentindo bem. Ele tinha problema de asma e começou a não respirar direito”.

Quem sobreviveu deseja a cura. “A gente tem que ter fé em Deus. Ele é o médicos dos médicos, tem o poder da cura”, conta a Francisca Fortes.

Ana Maria Reis / Rádio Rio Mar