Estudantes desenvolvem receitas regionais substituindo o trigo por farinha de peixe

Alunos do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) – Campus Presidente Figueiredo estão desenvolvendo doces e salgados feitos a partir de farinha de peixe. A iniciativa integra um projeto de extensão que busca valorizar a culinária local e ampliar o aproveitamento do pescado, especialmente do tambaqui, espécie típica da região amazônica. Os trabalhos envolvem acadêmicos dos cursos de Nutrição e Engenharia de Aquicultura.

Em Presidente Figueiredo, estudantes desenvolvem receitas regionais substituindo o trigo por farinha de peixe. Foto: Rádio Rio Mar.

A coordenadora do Grupo de Estudos em Nutrição de Peixes e Tecnologia do Pescado (Genupetec), professora Thyssya Bonfim, explica que o projeto nasceu da necessidade de reduzir o desperdício gerado após a retirada das espinhas do peixe.

“Eles visam trazer uma identidade regional e ampliar os benefícios do consumo desse alimento, que é tão importante para a saúde. A ideia foi unir a importância do pescado a uma problemática que enfrentamos hoje. A partir da tecnologia de retirada de espinhas, passou a haver um volume muito grande de resíduos com alto valor nutricional, já que esse material contém cerca de 90% de proteína muscular e apenas 10% de espinhas. Dentro do nosso grupo, essas mulheres desenvolveram técnicas para o reaproveitamento dessa matéria-prima e para o desenvolvimento de novos produtos”, comentou.

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Entre as criações dos estudantes, mais de 20 produtos já foram desenvolvidos. Os principais incluem o fish burger, feito com até 90% de proteína de pescado, e um salgadinho proteico semelhante aos chips consumidos por crianças, porém mais nutritivo. Também há versões de nuggets, cupcakes, bolos de caneca e até sorvetes enriquecidos com pescado.

“Hoje temos produtos que podem ser consumidos tanto por quem gosta quanto por quem não gosta de peixe, permitindo que todos aproveitem os benefícios do pescado. Conseguimos incluir o pescado em uma ampla variedade de produtos, que têm sido bem aceitos, e assim oferecer à população acesso a um alimento mais nutritivo e com um sabor mais atrativo”, disse.

Em Presidente Figueiredo, estudantes desenvolvem receitas regionais substituindo o trigo por farinha de peixe. Foto: Rádio Rio Mar.

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Além de promover hábitos alimentares mais saudáveis, o projeto busca facilitar o acesso ao pescado para grupos que mais se beneficiam do consumo.

“Mães que consomem mais pescado tendem a ter uma gravidez mais saudável. Idosos com Alzheimer também podem apresentar redução de alguns efeitos associados à doença. O consumo de pescado ainda é limitado por fatores como sabor, odor e a presença de espinhas, que podem representar risco para crianças e idosos, justamente os grupos que mais se beneficiariam desse alimento. Ao reduzirmos esses riscos e apresentarmos o pescado de uma forma diferente, conseguimos alcançar esses públicos e ampliar o acesso aos seus benefícios”, finalizou.

Em Presidente Figueiredo, estudantes desenvolvem receitas regionais substituindo o trigo por farinha de peixe. Foto: Rádio Rio Mar.

A formanda em Engenharia de Aquicultura, Nilse Castro reforça a importância de valorizar aquilo que antes seria descartado.

“Esse produto, que compramos no supermercado aqui mesmo em Presidente Figueiredo e que normalmente seria descartado, nós valorizamos e apresentamos à sociedade como um alimento super proteico. Ao consumir, a pessoa nem percebe que é de pescado. É o sabor da Amazônia apresentado de uma forma diferente em nossos pratos”, disse.

O projeto segue em expansão e deve ser apresentado em eventos científicos e gastronômicos, fortalecendo a inovação na cadeia produtiva do pescado e incentivando novos hábitos alimentares na região.

Yuri Bezerra, Rádio Rio Mar

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