Aos 43 anos, Emerson Reis conhece de perto os desafios de viver em uma cidade que ainda precisa avançar na acessibilidade. Ele ficou cadeirante aos 19 anos, após ser diagnosticado com mielite transversa, uma doença que afeta a medula e pode provocar paralisia do corpo em poucas horas.

Pessoas com deficiência enfrentam barreiras de acessibilidade no dia a dia em Manaus. Foto: Reprodução/Agência Brasil.
Desde então, Emerson aprendeu a usar a cadeira de rodas e hoje realiza sozinho as atividades do dia a dia. Mas sair de casa ainda exige paciência e, muitas vezes, a ajuda de outras pessoas.
“Quando eu saio, a rampa não presta. Aí eles falam que está quebrada, ou então perdeu a chave, ou ninguém deu na garagem para eles. Essa aí é a dificuldade que eu tenho. Às vezes ele pega rampa, às vezes não. Aí tem que ter boa vontade do outro motorista lá, né? Me leva, deixa lá no T3, eu pego outro ônibus, 450. Aí tem que esperar um ônibus novo que funcione a rampa. O 450, muitas vezes, não pega rampa. Aí o motorista vai e bota a minha cadeira lá fora e eu me arrasto para eu sair. A maior humilhação que a gente passa.”
Além do transporte público, Emerson também enfrenta dificuldades nas ruas. Carros estacionados sobre as calçadas obrigam cadeirantes a dividir espaço com os veículos e aumentam o risco de acidentes.
“As ruas aqui de Manaus são muito complicadas para a gente andar. O carro está em cima da calçada, a gente tem que ir pela rua, com risco de ser atropelado. Bem, bem complicado.”
Leia também: Moradores da Região Metropolitana fazem aceiros para impedir avanço dos incêndios
Para ampliar o acesso aos direitos das pessoas com deficiência, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência oferece serviços na capital e no interior. A secretária Soraid Naveca explica quais atendimentos estão disponíveis à população.
“Oferecemos serviços de emissão de documentos e orientações de benefícios. Na nossa sede, localizada no bairro de Flores, a população tem acesso à carteirinha do autismo, à carteirinha de identificação das pessoas com deficiência e também no Passe Legal, que auxilia na gratuidade do transporte municipal.”
A secretaria também oferece orientação jurídica, doação de cadeiras de rodas e ações voltadas à empregabilidade, acessibilidade e inclusão. Os serviços também chegam aos PACs da capital e do interior.
“Além disso, oferecemos a orientação jurídica, doação de cadeiras de roda e ações voltadas à empregabilidade, à acessibilidade e à inclusão. Também estamos presentes nos PACs da capital e do interior, descentralizando nossos serviços e aproximando o atendimento das pessoas com deficiência e suas famílias. Eu acredito que a inclusão se faz todos os dias. Cada gesto, cada atitude e cada espaço acessível fazem a diferença.”
Ouça esta reportagem em áudio:
A equipe de reportagem também entrou em contato com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana, o IMMU, para saber sobre a previsão de novos ônibus e as medidas relacionadas à acessibilidade no transporte público. Até o fechamento desta reportagem, o órgão não havia enviado resposta.
Yuri Bezerra, Rádio Rio Mar