LabClim aponta redução das chuvas no Amazonas a partir de setembro

O Amazonas entrou no período seco, caracterizado pela redução das chuvas e pelo aumento gradual das temperaturas. Apesar de essa mudança ocorrer todos os anos entre maio e meados de outubro, a atuação do fenômeno El Niño aumenta a preocupação de especialistas com os impactos previstos para os próximos meses.

Período seco começa no Amazonas e El Niño deve intensificar calor e reduzir chuvas a partir de setembro. Foto: Imagem gerada por IA.

Segundo o meteorologista e pesquisador Leonardo Vergasta, do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o fenômeno ainda não provoca efeitos significativos no estado, mas esse cenário deve mudar nas próximas semanas.

“Os meses de maio até meados de outubro é conhecido como um período na nossa região, como período seco. Esse ano tá trazendo uma grande preocupação, devido à chegada do fenômeno El Ninho e atualmente esse El Ninho ele se encontra com uma intensidade moderada com uma tendência nos próximos meses de ir para a forte a muito forte, a gente ainda não vem sofrendo consequências relacionadas à redução das chuvas e até mesmo, aumento de temperatura muito expressiva, essas condições elas devem começar final de agosto para o início de setembro”, comentou.

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De acordo com o pesquisador, a redução das chuvas e o aumento das temperaturas devem atingir principalmente a região Centro-Norte e o leste do Amazonas, incluindo municípios como Manaus, Itacoatiara, Parintins, Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira.

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Apesar da preocupação com a estiagem, a situação hidrológica permanece dentro da normalidade. Todas as calhas da bacia amazônica já entraram no processo de vazante, com exceção do Alto Rio Negro, que ainda apresenta oscilações.

 “Esses impactos devem começar a ser sentidos no final de agosto para o início de setembro, no entanto a gente não enxerga ainda um cenário de seca extrema como a gente viu nos anos de 2023 e nos anos de 2024. Esse El Ninho ele vai durar até março do ano que vem, ele vai trazer impactos de fato no início da estação chuvosa, de 2026 de 2027, porque com uma redução das chuvas a gente não deve ter uma recuperação tão expressiva dos níveis dos rios e poderemos ter consequências mais drásticas no ano de 2027”, concluiu.

O Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da UEA segue monitorando a evolução do El Niño e atualizando as projeções.

Yuri Bezerra, Rádio Rio Mar

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