19 de abril: Povos indígenas mantêm luta por terra, cultura e dignidade

Foto: Verônica Holanda – Cimi

O Dia dos Povos Indígenas, lembrado em 19 de abril, destaca a importância das culturas originárias e chama atenção para problemas que ainda persistem. Em várias regiões do Brasil, comunidades indígenas seguem na luta por direitos básicos, como terra, moradia, saúde e educação.

Padre Justino Sarmento Rezende é um renomado sacerdote indígena da etnia Tuyuka, salesiano e especialista em antropologia social, atuante na Amazônia, especialmente no Alto Rio Negro. Foi destaque no Sínodo para a Amazônia em 2019 e defende uma Igreja presente e inculturada junto aos povos indígenas. Ele afirma que o marco temporal não reconhece a história dos povos originários. Segundo ele, os indígenas já ocupavam o território antes da chegada dos colonizadores. Para o religioso, negar esse direito enfraquece a identidade e ameaça o modo de vida dessas populações.

O marco temporal para nós, povos indígenas, não tem razão de existir porque antes que os colonizadores chegassem aqui no Brasil, nós, povos originários, já estávamos aqui. Quando se quer provar isso é destruir a compreensão da organização social dos povos indígenas, enfraquecer as suas identidades é destruir o projeto de vida dos povos indígenas.

O cardeal Leonardo Steiner, presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), critica a proposta. Ele afirma que, se aprovado, o marco temporal será um sinal de continuidade da destruição da natureza e das culturas indígenas, além de representar desrespeito e risco à vida desses povos.

Se aprovado, será um marco de continuidade da destruição. Destruição da natureza, do meio ambiente, destruição das culturas. Será um marco de continuidade de morte dos povos indígenas, de desrespeito em relação aos povos indígenas.

Foto: Erimar Miquiles Sateré-Mawé

Em Manaus, muitos indígenas vivem fora de seus territórios tradicionais e enfrentam dificuldades. O padre Rodrigo José de Paula relata que há indígenas em quase todos os bairros da cidade, com maior presença nas periferias. Falta de emprego, moradia precária, problemas de saúde e ausência de saneamento fazem parte da rotina de muitas famílias.

Nós temos indígenas em praticamente todos os bairros da cidade de Manaus, principalmente nas nossas periferias. E são os desafios que a cidade impõe àqueles moradores da periferia e agora também aos indígenas que lá estão. Problemas relacionados à saúde, à educação, à falta de saneamento. O indígena que sai do seu território e chega na cidade, aquele não vai encontrar, obviamente, com facilidade a pesca. Alguns deles que vivem do artesanato, por exemplo, não têm locais adequados para fazerem suas relações de comércio.

Foto: Erimar Miquiles Sateré-Mawé

Mesmo diante das dificuldades, os povos indígenas mantêm suas tradições. O artesanato, a transmissão de saberes e a organização coletiva fortalecem a cultura. Para lideranças como Erimar Miquiles Sateré-Mawé, a luta segue centrada em três pontos: saúde, educação e território. Sem essas garantias, a própria existência dos povos indígenas fica ameaçada.

Os desafios permanecem os mesmos pilares principais das nossas lutas que é saúde, educação e território. A gente acredita que é necessário para a nossa existência uma saúde de qualidade, uma educação que respeite todos os conhecimentos, todas as diferenças étnicas da nossa região e o território, que sem o território não temos como existir e essas lutas ainda fazem parte do nosso cotidiano.

Além dos desafios urbanos, a disputa por terras continua como um dos principais conflitos. Nos últimos anos, aumentaram os casos de invasões e violência em territórios indígenas. A situação preocupa lideranças e reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes.

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Rafaella Amorim, Rádio Rio Mar

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