A seca dos rios da Amazônia pode elevar os custos do transporte de cargas para Manaus antes de o Rio Negro atingir 17,7 metros na régua da capital. Um estudo apresentado pela Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC) à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) aponta que as restrições de calado já provocam impactos econômicos nas operações.

Seca pode elevar custos do transporte de cargas para Manaus antes de o rio atingir 17,7 metros. Foto: Imagem gerada por IA.
Em um cenário de redução de dois metros no calado, a capacidade de transporte de um navio pode cair cerca de 35%, enquanto o custo por contêiner cheio aumenta 63%. Com uma restrição de 3,2 metros, a perda de capacidade chega a 55% e o custo unitário pode subir até 147%.
O diretor-executivo da ABAC, Luis Resano, explica que o impacto não depende apenas do nível do rio em Manaus, mas também do calado máximo recomendado pela Capitania dos Portos.
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Segundo Resano, esse aumento não representa uma alteração direta no frete contratado. A diferença aparece na forma de uma sobretaxa destinada a cobrir despesas adicionais das empresas durante o período de estiagem.
A redução do espaço disponível nos navios também pode afetar os prazos de entrega. Em Itacoatiara, onde os terminais flutuantes recebem embarcações durante a estiagem, a limitação de espaço pode provocar filas e atrasos.
Para reduzir os impactos, a ABAC orienta os embarcadores a antecipar, quando possível, o envio de mercadorias para Manaus. A ANTAQ reconheceu que os efeitos econômicos podem ocorrer antes da marca de 17,7 metros e informou que a cobrança da sobretaxa poderá ser analisada caso as empresas comprovem os impactos nas operações.
Yuri Bezerra, Rádio Rio Mar