A refinaria privatizada de Manaus, Ream, passou a vender combustíveis para as distribuidoras com valores até 74% mais caros do que os praticados pela Petrobras, no Amazonas.
No último sábado, a Ream passou a vender o litro da gasolina por R$ 4,32 e o diesel S-10 por R$ 6,45. Enquanto isso, o entreposto da Petrobras, em Itacoatiara, cobra R$ 2,59 pelo litro da gasolina e R$ 3,70 no diesel S-10.
Ou seja, a refinaria privatizada cobra 66% a mais pelo litro da gasolina (ou R$ 1,73 de diferença) e 74% acima da Petrobras no diesel S-10 (ou R$ 2,75 acima).
Na última quinta-feira, dois dias antes do último reajuste de R$ 0,45 centavos na gasolina e de R$ 0,75 centavos no diesel, a Ream divulgou uma ‘Nota de Esclarecimento’, na qual alega que “não atua de forma isolada no abastecimento nem na formação de preços dos combustíveis na região” e que “vende aos distribuidores de combustíveis cerca de 30% do volume comercializado pelos postos do Amazonas”.
A nota afirma ainda que a refinaria de Manaus compra produtos e insumos em dólar “e por preços que seguem indicadores internacionais, como o petróleo tipo Brent e os índices de mercado de diesel e gasolina”.
A Ream ainda diz que “desde a escalada dos conflitos no Oriente Médio, em 28/02/26, até o fechamento do mercado na data de 18/03/26, os preços da gasolina e do diesel no mercado internacional subiram, respectivamente, 36% e 65%. O petróleo, por sua vez, subiu 37 dólares por barril, passando de 73 dólares para 110 dólares por barril”.
A nota não informa, no entanto, que a refinaria pertence a um conglomerado que possui distribuidora e rede de postos, que repassam aumentos aos consumidores imediatamente e não reduzem os preços na bomba quando há queda nas cotações internacionais.
Reduções
Em 2025, por exemplo, os preços do barril de petróleo, do diesel e da gasolina reduziram 20% no mercado internacional (a cotação do dólar ainda caiu outros 11,8%), mas não houve nenhum centavo de redução para o consumidor amazonense. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Amazonas começou 2025 com preço médio de R$ 7,00 por litro da gasolina e terminou o ano com o mesmo valor.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-AM) informa que acompanha com atenção o segundo aumento consecutivo no preço da gasolina em menos de um mês no Amazonas. Em Manaus, o litro já atinge o valor de R$ 7,59 em alguns postos.
“Essa diferença nos preços praticados entre a Petrobras e a Rian, elas refletem a lógica do mercado, a Rian é uma refinaria privatizada e como toda empresa privatizada, ela busca a maximização do lucro e acaba tendo pouca concorrência direta aqui no estado do Amazonas. Então, ela fica com um poder de precificação maior. Ao passo que a Petrobras, por ser uma estatal, ela consegue segurar os preços e fazer uma redução artificial do preço de venda. Entretanto, isso gera uma distorção no mercado e pode causar um desabastecimento, risco de desabastecimento que é o que a gente está vendo agora. De um lado, você tem aí o preço mais elevado um pouco, mais a certeza de que você vai conseguir abastecer o mercado e de outro, você tem um preço mais reduzido, mas com essa incerteza que a longo prazo pode acabar acarretando um desequilíbrio muito grande no mercado e com isso uma elevação até maior dos preços de venda”, disse a diretora técnica do Procon-AM, Sasha Suano.
O órgão afirma que as equipes de fiscalização realizam monitoramento e inspeções para verificar se os reajustes estão justificados, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), para coibir possíveis práticas abusivas.
“Essa operação de fazer a verificação dos preços, saber se existe alguma abusividade, se não existe, ela é uma operação muito minuciosa. Então a gente recolhe notas fiscais de compra e de venda para planilhar, analisar, com muita cautela e depois de bastante análise, apresentar uma resposta para a população. Não é uma tarefa rápida, não é uma tarefa que se faz de qualquer jeito, então ela realmente requer, demanda bastante tempo, a nossa equipe, apesar de muito empenhada É uma equipe pequena, então até o momento a gente ainda está na fase de análise de documentação. Não se pode afirmar, até porque seria leviano da nossa parte, se houve ou não algum tipo de abusividade. Mas assim que a gente tiver uma resposta, a gente vai informar a população e dentro da nossa competência a gente vai adotar todas as medidas cabíveis, inclusive aplicando as punições administrativas que nos cabe aplicar, caso seja constatar alguma irregularidade”, disse a diretora técnica do Procon-AM, Sasha Suano.
Bruno Elander – Rádio Rio Mar
Foto: Divulgação/Ream
