A violência contra a mulher continua entre os principais desafios da rede de proteção no Amazonas. Apesar do reforço nas ações de combate e do atendimento às vítimas, autoridades alertam que muitos casos ainda deixam de ser denunciados por medo ou dependência financeira e emocional. Para enfrentar esse cenário, órgãos de segurança e do Judiciário ampliam iniciativas de proteção e incentivo à denúncia.

Rede de proteção intensifica ações de enfrentamento à violência contra a mulher no Amazonas. Foto: Divulgação / Semsa.
Desde junho deste ano, a Polícia Civil participa da Operação Mulher Segura, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em Manaus, a ação resultou na prisão de 174 agressores de mulheres. Segundo a delegada Patrícia Leão, titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM), o número de casos ainda é maior do que o registrado oficialmente, já que muitas vítimas não denunciam os agressores.
“Desde junho de 2026 que nós estamos aqui com a Operação Mulher Segura, do Ministério da Justiça. Ao todo, prendemos 174 agressores de mulheres apenas aqui na cidade de Manaus. Então, vocês observem como o número de violência doméstica é elevado e ainda não corresponde aos números reais, porque existem muitas mulheres que, por algum tipo de dependência, seja financeira ou emocional, ainda não têm coragem de denunciar. É importante que essas mulheres procurem o Disque 197, da Polícia Civil, ou o Disque 180 e peçam ajuda. Essa operação vai até dezembro e nós vamos percorrer os municípios do interior do Amazonas.”
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Além das ações policiais, o Tribunal de Justiça do Amazonas mantém um plantão exclusivo para analisar pedidos de medidas protetivas de urgência. A medida garante maior rapidez no atendimento às vítimas e fortalece a rede de proteção.
De acordo com a desembargadora Graça Figueiredo, secretária-executiva da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJAM, o tribunal concede medidas protetivas em menos de duas horas e, em alguns fins de semana, chega a expedir entre 50 e 100 decisões.
“Aqui no Amazonas, por meio das varas, nós acolhemos as mulheres que buscam uma medida protetiva. Concedemos essa medida em menos de duas horas. O plantão exclusivo do Tribunal de Justiça dá mais celeridade à análise dos pedidos e fortalece a proteção das mulheres. Há fins de semana em que concedemos entre 50 e 100 medidas protetivas. É uma situação alarmante.”
Entre os dias 17 e 21 de agosto, Iranduba sediará a abertura da Semana Pela Paz em Casa no Amazonas. O município foi escolhido por registrar elevados índices de violência doméstica. Durante a programação, o Judiciário promoverá um esforço concentrado para agilizar julgamentos, receber denúncias e ampliar o atendimento às vítimas em todas as comarcas do estado.
Yuri Bezerra, Rádio Rio Mar