Mensagem do Papa Leão XIV reforça parceria histórica entre Brasil e Vaticano

Mensagem do Papa Leão XIV reforça parceria histórica entre Brasil e Vaticano

Em mensagem pelos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, o Papa Leão XIV afirmou que o vínculo entre as duas partes se mantém sólido ao longo de dois séculos. No texto, destacou o trabalho de diplomatas e religiosos na construção dessa relação e ressaltou a capacidade de adaptação diante de mudanças políticas e sociais.

O pontífice também citou a tradição diplomática brasileira e a influência da fé católica na formação histórica do país. Segundo ele, a Igreja teve atuação relevante nas áreas de educação, cultura e valores morais, além de participação em debates sobre justiça e bem comum.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, afirmou que a relação é estável e produtiva. Ele destacou a contribuição da Igreja em ações de assistência social e educação, sobretudo junto à população mais vulnerável. O Brasil foi o primeiro país da América Latina e do Caribe a estabelecer relações diplomáticas com a Santa Sé.

Na mensagem, Leão XIV também citou a atuação conjunta na defesa da dignidade humana, do diálogo e da cooperação internacional. Lembrou o acordo assinado em 2008 entre as duas partes, defendeu a liberdade religiosa como pilar da democracia e concedeu a bênção apostólica ao povo brasileiro, sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida.

Veja, abaixo, a íntegra do documento:

Aos distintos participantes na Sessão Extraordinária em comemoração do Bicentenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil

É com grande alegria que elevo a minha ação de graças aos Céus pelo bicentenário das relações entre a Santa Sé e o Brasil, marco de singular importância para a nação brasileira e para a Igreja. Esta celebração ressalta a longevidade de uma amizade autêntica, que soube adaptar-se às grandes transformações sociais e políticas ocorridas tanto no país quanto no mundo, evidenciando a robustez deste vínculo. Tal ocasião oferece igualmente a oportunidade de recordar o empenho diligente — e muitas vezes silencioso — de diplomatas e eclesiásticos que, desde 1826, sucedendo a Mons. Francisco Corrêa Vidigal e Dom Pietro Ostini, contribuíram para alicerçar uma relação tão profunda e vigorosa.

A tradição diplomática que caracteriza a nação brasileira é marcada, já nos seus inícios, pelo respeito à fé católica transmitida de geração em geração no seio do povo. No período colonial, a Igreja exerceu nessas terras um papel decisivo no âmbito educativo, cultural e moral, contribuindo, a partir dos preceitos do Evangelho, para a formação de identidades locais, para a difusão de valores éticos comuns e para o debate público sobre temas de mútuo interesse, como a justiça e o bem comum. Vale destacar que o fim da interdependência jurídico-religiosa entre Igreja e Estado não significou a ruptura ou o enfraquecimento das relações, mas sim o aperfeiçoamento de uma parceria que se mostrou firme e enriquecedora para ambas as partes.

Além disso, ao festejar este bicentenário, é oportuno assinalar que, nas mudanças de época e até nos períodos mais desafiadores, Brasil e Santa Sé permaneceram ao lado daqueles que defendiam os princípios fundamentais da dignidade humana, atuando em diversas frentes para afirmar a relevância essencial do diálogo e da diplomacia multilateral na construção de um mundo mais justo para todos. Esta trajetória conjunta, que não se distingue por ser apenas uma aliança institucional, significa um compromisso recíproco com a promoção da paz e da concórdia, o socorro aos mais pobres e desvalidos e o cuidado com a nossa casa comum, demonstrando a consciência de uma responsabilidade que ultrapassa fronteiras e circunstâncias conjunturais.

Por tudo isso, é meu sincero desejo que a comemoração desta festiva efeméride possa, lembrando o passado, inspirar um futuro de colaboração ainda mais profícua. Faço votos, outrossim, que esta comunhão prossiga traduzindo-se em manifestações concretas da sua solidez, tal como aconteceu no ano de 2008, com a assinatura do Acordo entre a Santa Sé e o Brasil. Continuem os laços diplomáticos que nos unem a garantir aquela liberdade religiosa da qual a Igreja desfruta no amado Brasil e que constitui um dos pilares irrenunciáveis de toda democracia plenamente consolidada. O bicentenário que estamos comemorando confirma que a Santa Sé tem no Brasil um parceiro privilegiado para alcançar estes propósitos.

Sendo assim, como penhor dos mais abundantes favores celestiais, invoco a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, e concedo de bom grado a toda a população brasileira, especialmente a quantos participam nessa sessão solene, a Bênção Apostólica.

Vaticano, 11 de fevereiro de 2026
Leo PP. XIV

 

Rafaella Amorim, Rádio Rio Mar

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