Investigação aponta falha humana e negligência de empresa em acidente com árvore de Natal

A Polícia Civil aponta indícios de falha humana e negligência por parte da empresa responsável pelo içamento da estrutura que tombou durante a montagem da árvore de Natal do Largo São Sebastião, em Manaus, na manhã de domingo (23).

Investigação aponta indícios de falha humana e negligência de empresa em acidente com árvore de Natal. Foto: Reprodução.

O acidente matou o trabalhador Antônio Paulo Rodrigues de Souza, 40 anos, e deixou Henes Libório Ramos, 47, com fratura em uma das pernas. Ambos atuavam para uma empresa contratada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC) para ornamentar o espaço.

O operador do guindaste, Antônio Benjamin, foi preso em flagrante e indiciado por homicídio culposo. Nesta segunda-feira (24), o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirmou que Benjamin estava afastado do trabalho pelo INSS e recebia auxílio-doença, mas aceitou atuar como freelancer por R$ 300.

“Ele alega que, mesmo estando afastado do trabalho e recebendo auxílio-doença pelo INSS, sentia-se bem para trabalhar. Afirma também que possui um problema cardíaco, mas que isso não o impedia de atuar. Ele trabalhou como freelancer, como avulso, e diz ter recebido R$ 300 para fazer esse serviço. Constatamos que não existe um plano de içamento, um plano de rigging, e que os trabalhadores permaneceram sobre o objeto, o que não é permitido”, disse.

Leia também: Trabalhador morre após guindaste tombar durante montagem de árvore de Natal em Manaus

Investigação aponta indícios de falha humana e negligência de empresa em acidente com árvore de Natal. Foto: Reprodução.

Outro ponto crítico é que o operador não comprovou possuir as certificações obrigatórias para atuar com guindastes. Segundo o delegado, a perícia encontrou falhas estruturais e de procedimento. O guindaste não possuía um limitador de carga, equipamento eletrônico essencial para indicar riscos de tombamento.

“Ele avalia se a carga que está sendo içada está dentro da capacidade da máquina e se há risco de tombamento. Esse equipamento possui três sinais vermelho, amarelo e verde  que permitem ao operador visualizar qualquer risco. Ele não tinha esse equipamento, que é essencial para esse tipo de operação. Estamos investigando a atuação do auxiliar que também estava no local, assim como das pessoas responsáveis pela empresa, que deveriam ter realizado uma série de procedimentos de segurança nesse tipo de operação de engenharia”, comentou.

Embora o guindaste tivesse capacidade para 30 toneladas, a polícia apura se houve erro do operador na distância escolhida para a operação.

“O fato de içar objetos a certa distância da base do guindaste pode gerar risco de tombamento. Eu o questionei por que ele não estacionou mais próximo do objeto, garantindo maior equilíbrio ao equipamento, e ele disse que decidiu no olhômetro que teria capacidade de fazer aquilo”, afirmou.

O laudo pericial deve ser concluído em até 30 dias e vai determinar o grau de responsabilidade do operador e da empresa no acidente.

Yuri Bezerra, Rádio Rio Mar

  • Sakuratoto