As queimadas no Amazonas ficaram 16% acima da média, em setembro, conforme o monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os satélites identificaram 3.726 ocorrências, o que representa um aumento de 295% em relação a setembro do ano passado. A alta expressiva ocorre porque em 2025 houve a menor quantidade de incêndios em 24 anos para o mês.
Em setembro de 2022, por exemplo, ano das últimas eleições gerais, houve 8.659 queimadas.
De acordo com o Inpe, a média no Amazonas é de 3.211 incêndios nos meses de setembro. Esse histórico considera os anos entre 1998 e 2026.
O painel de monitoramento informa que, em 9 meses, o Estado acumulou 6.257 incêndios. Ou seja, de janeiro a setembro, a quantidade de ocorrências já superou o acumulado de todos os 12 meses do ano passado.
Contudo, assim como no comparativo mês a mês, cabe a ressalva de que o ano de 2025 teve a menor quantidade de queimadas em 24 anos.
Sem contar com o ano passado, a quantidade de incêndios de janeiro a setembro deste ano é a menor desde 2013 no Amazonas.
O efeito sobre a população, no entanto, está potencializado, em 2026, por conta do fenômeno El Niño, que é o aquecimento das águas do oceano acima da média.
O Governo do Amazonas também se manifestou sobre a situação e informou que ampliou as ações de monitoramento, fiscalização e combate aos incêndios nas regiões mais atingidas. O Estado, contudo, não apontou um município específico como origem da fumaça. O secretário de Estado do Meio Ambiente, Miqueias Santos, afirmou que o cenário está relacionado à intensificação das queimadas e às condições climáticas provocadas pelo El Niño.
“Essa anomalia do El Niño demonstra, inclusive, que vai se atenuar e vai continuar por um período muito grande de seca no estado, como mostram os cenários”, disse o secretário.
Segundo o Boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño deve alcançar intensidade muito forte, no trimestre outubro-novembro-dezembro. Dessa maneira, o fenômeno pode ser o mais intenso desde 1950 e persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
O cenário é de dois extremos: seca e risco de fogo no centro-norte, e chuva acima da média, com risco de cheias, no Sul. Além disso, as temperaturas devem ficar acima da faixa normal em quase todo o País.
No fim de setembro, as anomalias de temperatura superaram 2 °C nas áreas central e leste do oceano, segundo a agência norte-americana.
Dados parciais de setembro do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) mostram que o número de municípios em seca extrema subiu de 4 para 24 em um mês. Os municípios em seca severa passaram de 153 para 197, com maior aumento no Amazonas, na Bahia, no Amapá, em Alagoas e em Sergipe.
Bruno Elander – Rádio Rio Mar
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