Especialistas também apontam que a Amazônia concentra algumas das maiores taxas de violência sexual do país, com mais de 31 mil casos registrados entre 2021 e 2023.
A Igreja Católica voltou a chamar atenção para a violência sexual contra crianças e adolescentes em Manaus. Movimentos atuam para não se calarem diante das violações e para apoiar famílias, instituições e a sociedade.
O bispo auxiliar de Manaus, dom Hudson Ribeiro, acompanha os movimentos que atendem a causa na cidade e no interior e afirma que, embora essa seja uma realidade que não deveria existir, a sociedade precisa enfrentar o problema de forma direta e coletiva.
O bispo também defendeu a construção de uma cultura do cuidado, com ações organizadas, formação e políticas públicas efetivas.
Dom Hudson destacou ainda os desafios da região amazônica. As grandes distâncias, o acesso difícil e a falta de estrutura em áreas isoladas dificultam a proteção das vítimas. Ele citou também a região de tríplice fronteira, entre Brasil, Peru e Colômbia, como um ponto crítico para o tráfico e a exploração sexual de menores.
A irmã Rose Bertoldo, da Rede Um Grito pela Vida, alertou para o aliciamento de meninas do interior com falsas promessas de estudo e trabalho. “Quando chegam, encontram exploração e violência”, afirmou. Segundo ela, a informação é uma das principais formas de prevenção.
Dados recentes reforçam o alerta. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que o Brasil registrou 87.545 casos de estupro em 2024, sendo 61% das vítimas crianças e adolescentes. No Amazonas, o cenário preocupa: foram 1.551 casos no mesmo ano, um aumento de 41,5% em relação a 2023. Entre 2020 e 2024, o estado somou mais de 10 mil notificações de violência sexual contra esse público.
Rafaella Amorim, Rádio Rio Mar
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