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Conflitos no campo atingem quase 24 mil famílias no Amazonas

Conflitos no campo atingem quase 24 mil famílias no Amazonas

Conflitos por terra, água e trabalho escravo afetaram quase 24 mil famílias no Amazonas este ano. O levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) também aponta mortes, ameaças e invasões de territórios. Os dados foram apresentados nesta terça-feira, 09 de junho em Manaus.

A comissão registrou 98 ocorrências entre disputas por terra, conflitos pela água e casos de trabalho análogo à escravidão. A maior parte dos registros envolve a posse da terra. Foram 89 ocorrências que atingiram 23.963 famílias. Entre os problemas mais comuns estão ameaças de expulsão, invasão de territórios, desmatamento ilegal e a atuação de grupos armados. Indígenas e posseiros aparecem entre os grupos mais afetados.

Os conflitos pela água somaram sete registros e atingiram cerca de 5.100 famílias. As denúncias incluem poluição de rios, contaminação por minério, pesca predatória e dificuldade de acesso à água em comunidades do interior do estado.

Já a coordenadora das Pastorais Sociais do Regional Norte 1, Rosiane Gomes de Freitas, reforçou que o acesso à terra é um direito de todos.

Durante a apresentação do levantamento, representantes da Igreja e das pastorais sociais defenderam mais atenção às populações afetadas. A coordenadora colegiada da CPT no Amazonas, Ana Virgínia Monteiro, destacou que os números representam pessoas e famílias que vivem situações de vulnerabilidade.

O cardeal Leonardo Steiner afirmou que divulgar esses casos é uma forma de dar visibilidade às vidas marcadas pela violência no campo.

O relatório também registra 36 vítimas de violência contra a pessoa, entre agressões, ameaças, ferimentos e tentativas de assassinato. Dois posseiros morreram em conflitos nos municípios de Boca do Acre e Lábrea. A CPT ainda identificou dois casos de trabalho análogo à escravidão ligados ao garimpo de ouro, com o resgate de 25 trabalhadores.

Rafaella Amorim, Rádio Rio Mar