Os ataques registrados na Venezuela neste sábado (03) acenderam um alerta entre entidades que atuam na defesa dos direitos de migrantes e refugiados no Brasil.

Conflito na Venezuela pode intensificar o fluxo de refugiados para o Amazonas. Foto: Reprodução Internet.
Em Manaus, a Pastoral dos Migrantes acompanha com preocupação o cenário de instabilidade no país vizinho e avalia que a violência pode provocar um novo aumento no fluxo de venezuelanos em direção ao Amazonas, mesmo que os confrontos não tenham ocorrido em regiões diretamente ligadas à rota migratória para o estado, como explica a coordenadora da Pastoral dos Migrantes em Manaus e missionária scalabriniana, irmã Carmem Gandra.
“Nós já estamos, sim, com a expectativa bastante alta em relação à questão migratória, porque os migrantes nunca pararam de entrar aqui em Pacaraima. Temos um fluxo bastante grande de imigrantes entrando cotidianamente. Temos também a expectativa de que os migrantes venezuelanos que estavam no Chile, algo em torno de 300 mil, muitos sem documentação, e a documentação no Chile não é tão simples, provavelmente estejam se deslocando neste momento, em virtude das novas eleições que ocorreram lá. Vai ser uma situação em que imaginamos, sim, um novo fluxo migratório grande”, disse.
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Conflito na Venezuela pode intensificar o fluxo de refugiados para o Amazonas. Foto: Reprodução/Instagram Pastoral dos Migrantes de Manaus.
A entidade ressalta que, mesmo que os ataques tenham ocorrido em áreas distantes da fronteira com o Brasil, situações de guerra, violência armada ou agravamento da crise humanitária tendem a levar a população a buscar refúgio onde houver acolhimento e proteção. Nesse cenário, o Brasil continua sendo visto como referência de ajuda humanitária para os venezuelanos.
“Hoje, a Pastoral do Migrante trabalha sobretudo nesse eixo de acompanhamento das pessoas, de ajuda na inserção no mercado de trabalho e no processo de adaptação, acompanhando suas necessidades. Porém, é verdade que nós, enquanto Pastoral, não temos uma resposta tão grande para todas as necessidades deles. Essa resposta maior precisa vir das políticas públicas do Brasil, que, graças a Deus, auxiliam bastante. Acolher, promover, proteger e integrar são os quatro verbos que o Papa Francisco designou para que nós, que trabalhamos com os migrantes, possamos viver intensamente essa relação”, comentou.
Apesar do empenho das organizações religiosas e sociais, a coordenadora reforça que a resposta às demandas migratórias depende, sobretudo, das políticas públicas.
“Nós, aqui no Brasil, temos esse compromisso de ajudá-los. A política do nosso governo brasileiro vai precisar, sim, se atentar para que, neste momento, seja aberta a possibilidade de mais abrigos para os imigrantes e, sobretudo, para que se intensifique o processo de interiorização. Vamos precisar que outras regiões brasileiras também se disponham a ajudar nesse processo de acolhida e que o governo brasileiro faça grandes esforços para minimizar todas as situações de sofrimento neste momento”, disse.
Yuri Bezerra, Rádio Rio Mar