Casos de feminicídio aumentam no Brasil e acendem alerta para denúncias

Casos de feminicídio aumentam no Brasil e acendem alerta para denúncias  – Foto: Senado Federal

Em média, quatro mulheres são mortas por dia no país vítimas de feminicídio, o maior número desde que o crime começou a ser monitorado regularmente, com cerca de 1.459 mortes registradas em 2024, um leve aumento em relação ao ano anterior. Esse cenário expõe a violência estrutural que muitas mulheres enfrentam dentro de casa e em relacionamentos íntimos, quase sempre por parceiros ou ex-parceiros

Manuella Sabrina Barros Queirós, 23 anos, vítima de feminicídio.

Em Manaus, uma dessas histórias é a de Manuella Sabrina Barros Queirós, de 23 anos, morta a tiros no bairro Novo Aleixo. A mãe dela, Sandra Barros, ainda tenta lidar com a dor da perda.

Como pessoa, ela era bem comunicativa, trabalhadora. Eu gostaria que ela fosse lembrada como uma pessoa que queria apenas ser feliz, ele não tinha o direito de tirar a vida dela. Eu queria que a justiça seja feita. Ainda dói muito relembrar tudo isso, mas eu não meço esforço de falar, porque a minha filha era tudo pra mim. Era minha amiga, confidente, minha provedora, e da filha dela.

O suspeito do crime, Antônio Márcio Silva de Castro, de 52 anos, foi preso e responde por duplo homicídio. Segundo a polícia, o crime foi planejado, motivado por ciúmes, e ocorreu na frente de duas crianças, uma delas filha da vítima com o agressor. Manuella já havia denunciado ameaças e chegou a ter medida protetiva, mas pediu a revogação meses antes do crime.

Terapeuta Raquel Pinheiro, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio.

Histórias como essa se repetem em todo o país. A terapeuta Raquel Pinheiro, que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio, reforça que o primeiro passo é reconhecer o abuso.

Eu sofria muito de dependência emocional nas minhas relações e acabava sofrendo abuso em muitas áreas da minha vida. Quando eu percebi o abuso, eu quis terminar e fui ameaçada e tive muito medo de morrer. Eu fui acolhida por uma colega que me encorajou a denunciar e sair desse relacionamento tóxico que quase acabou comigo.

No Amazonas, apesar da gravidade do tema, os dados mostram avanços. O secretário de Segurança Pública (SSP-AM), Vinícius Almeida, afirma que o estado registrou, em 2025, a menor taxa de feminicídio do Brasil.

O Amazonas se destacou como o estado com a menor taxa no Brasil. Sabemos que muito ainda deve melhorar, que sempre é ponto de atenção essa questão do feminicídio. Vamos continuar trabalhando muito no ano de 2006, fortalecendo as estruturas para que a gente possa não apenas manter, mas buscar ainda redução ainda maior do que já tivemos no ano passado.

Apesar da violência que ainda marca tantas histórias, há caminhos que salvam vidas e mostram que é possível romper o ciclo da agressão. No Amazonas, a rede de proteção às mulheres tem se fortalecido e apresentado resultados concretos.

Subtenente Adriana Granjeiro

Uma das principais ferramentas é a Ronda Maria da Penha. A subtenente Adriana Granjeiro explica que, há 11 anos, nenhuma mulher acompanhada pelo programa foi vítima de feminicídio.

A Ronda Maria da Penha, ela é uma tropa especializada da polícia militar, focada especificamente na fiscalização e no cumprimento das medidas protetivas. E o objetivo é garantir que o agressor mantenha a distância determinada por lei. Além da segurança, a equipe orienta sobre os direitos e encaminha para serviços de assistente social e psicólogo, dependendo do caso.

Somente em 2025, mais de 12 mil medidas protetivas foram solicitadas no Amazonas. Os dados confirmam que denunciar, buscar ajuda e aceitar o acompanhamento das autoridades pode interromper a violência antes que ela termine em morte.

Em situações de emergência, ligue 190. Para denúncias de violência contra a mulher, o número é 180.

Em Manaus, procure uma Delegacia Especializada da Mulher ou a Ronda Maria da Penha. Denunciar é um direito. E, muitas vezes, é o primeiro passo para recomeçar e seguir viva.

Ouça a matéria em áudio:

Rafaella Amorim, Rádio Rio Mar

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