
Saneamento: Descarte incorreto prejudica o saneamento em Manaus
O descarte inadequado de resíduos na rede de esgoto provoca obstruções, exige serviços de manutenção e pode causar transtornos nas ruas de Manaus. Plástico, cabelo, areia e outros materiais estão entre os itens encontrados nos pontos de acesso à rede coletora. Além do lixo, a entrada de água da chuva no sistema também compromete o funcionamento da estrutura.
O coordenador de Serviços da Águas de Manaus, Edisval Nascimento, explica que o descarte incorreto está entre as causas das obstruções. Segundo ele, os resíduos chegam aos pontos de visita, estruturas instaladas nas ruas para permitir o acesso à rede de esgoto e a realização de serviços de manutenção.
“São camisas, plásticos, camisinha, cabelo, pedra, areia. As pessoas costumam descartar esses materiais de forma inadequada, e isso vai ocasionar a obstrução das nossas redes coletoras”, afirma Edisval.
Rede de esgoto não é lugar para lixo nem água da chuva
O sistema de esgotamento sanitário recebe a água usada nas atividades domésticas, como banho e lavagem de louça. Já a água da chuva precisa seguir por uma rede própria. Quando os dois sistemas se misturam, o volume que chega aos coletores pode ultrapassar a capacidade da estrutura e provocar extravasamentos.
Edisval destaca que a população precisa conhecer a finalidade da rede e evitar o descarte de resíduos nos pontos de visita. A concessionária também realiza ações de orientação nas comunidades atendidas pelo serviço.
“A empresa faz esse trabalho de conscientização. Nossas equipes vão de casa em casa para orientar os moradores e evitar que façam o descarte de forma inadequada”, explica o coordenador.
Outro ponto importante é a ligação dos imóveis à rede coletora. Após a conclusão das obras, a concessionária disponibiliza um ponto de espera para que os moradores façam a conexão. A adesão permite que o esgoto doméstico siga para o sistema de coleta e tratamento, em vez de ser descartado de forma inadequada.
Obstruções também afetam o trânsito
De acordo com Edisval Nascimento, a Águas de Manaus recebe, em média, de 50 a 60 chamados de serviço por dia relacionados a problemas na rede de esgoto, conforme o relato do coordenador. Parte dessas ocorrências envolve obstruções, inclusive por descarte irregular de resíduos nos pontos de visita.
O atendimento exige equipes e equipamentos específicos, como caminhões hidrojato, usados na limpeza e desobstrução da rede. Como os pontos de acesso ficam nas vias públicas, o serviço pode exigir sinalização e apoio para organizar o trânsito durante a operação.
O coordenador cita o conjunto Viver Melhor, na zona Norte da capital, como uma das áreas que enfrentam ocorrências recorrentes. Segundo ele, após uma campanha de conscientização com lideranças comunitárias e moradores, os chamados diários caíram de cerca de 35, no início de 2026, para uma média de sete a oito.
Rede coletora muda a rotina dos moradores
No Beco Nonato, a moradora Giselle Dantas de Oliveira vive há mais de 30 anos e acompanhou as mudanças após a chegada da rede coletora de esgoto. Antes do serviço, ela conta que as famílias conviviam com o esgoto a céu aberto, o mau cheiro e os resíduos expostos em frente às casas.
“Antes de chegar a rede coletora de esgoto aqui, era um odor muito ruim mesmo. A gente não podia receber visita nas nossas casas, não podia ficar na frente das nossas casas, porque o esgoto era todo jogado a céu aberto. Quando a pessoa puxava a descarga, ficava tudo na frente das nossas casas”, lembra Giselle.
A moradora afirma que a implantação da rede trouxe melhorias para a comunidade e reduziu o contato dos moradores com o esgoto exposto.
“De um ano para cá, melhorou muito para a gente, porque hoje temos a rede coletora de esgoto. Não fica mais o esgoto jogado na frente da nossa casa, não fica mais aquele odor. Hoje em dia, a gente está muito bem. Foi uma bênção que recebemos, junto com a estação de tratamento que já conhecemos”, relata.
Giselle também percebe que a presença da rede mudou a forma como alguns moradores lidam com o saneamento. Segundo ela, quem constrói novas casas na área já procura informações sobre a ligação ao sistema para evitar o descarte inadequado.
“Para mim, é uma satisfação muito grande ver minha família bem e meus vizinhos também. Isso é uma grande conquista que conseguimos aqui no Beco Nonato”, afirma.
Uso correto ajuda a preservar o saneamento
A experiência dos moradores do Beco Nonato mostra como a coleta de esgoto pode transformar as condições de vida de uma comunidade. Para que o sistema funcione de forma adequada, porém, a ampliação da cobertura precisa vir acompanhada do uso correto da rede.
Evitar o descarte de lixo, plástico, cabelo, areia e outros materiais nos pontos de visita, não direcionar a água da chuva para os coletores de esgoto e conectar o imóvel à rede disponível são medidas que ajudam a prevenir obstruções e extravasamentos.
O saneamento depende tanto da infraestrutura quanto dos cuidados cotidianos. O destino correto dos resíduos começa dentro de casa e contribui para proteger a rede coletora, reduzir transtornos nas ruas e melhorar as condições ambientais e de saúde da população.
Rafaella Amorim, Rádio Rio Mar