
Dez anos rompendo o silêncio: CNBB reforça combate ao tráfico de pessoas e compromisso com a defesa da vida.
A Comissão Episcopal Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), celebra dez anos de atuação em 2026. Com o lema “10 anos rompendo o silêncio: Tráfico de pessoas existe e enfrentá-lo é a nossa missão”, a Comissão reforça a importância da prevenção, da denúncia e da proteção das vítimas. A programação comemorativa deve seguir até o primeiro semestre de 2027, com encontros virtuais e atividades de conscientização.
A irmã Rose Bertoldo, integrante da Rede Um Grito pela Vida, em Manaus, destaca que o tráfico de pessoas não se limita à exploração sexual. O crime também pode envolver trabalho análogo à escravidão, servidão doméstica, retirada de órgãos e aliciamento para atividades ilícitas.
Uma das formas de aliciamento ocorre por meio de falsas propostas de emprego. A vítima recebe uma oferta de trabalho e, em alguns casos, ajuda para pagar a viagem até outra cidade ou região. Ao chegar ao destino, porém, encontra condições diferentes das prometidas e passa a sofrer exploração. Segundo a irmã Rose, muitas pessoas não relacionam essa situação ao tráfico humano.
A Comissão foi criada oficialmente pela CNBB em 2016, após iniciativas que ampliaram o debate sobre o tema, como a Campanha da Fraternidade de 2014, que teve como foco a fraternidade e o tráfico humano. Desde então, a CEETH promove formação, articulação com organizações sociais e ações para fortalecer as políticas públicas de prevenção e atendimento às vítimas.
Ao completar uma década, a Comissão pretende ampliar a formação nas dioceses e fortalecer o trabalho em rede. A proposta é envolver pastorais, paróquias e comunidades na identificação de situações de risco e na proteção das pessoas vulneráveis. A orientação é buscar os canais oficiais de denúncia diante de suspeitas de tráfico de pessoas.
Rafaella Amorim, Rádio Rio Mar