Um estudo divulgado na última semana, pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, aponta que Manaus tem, pelo menos, 27 mil poços artesianos, dos quais apenas 5 mil têm registro na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais do Brasil (CPRM). As estatísticas são com base no ano de 2022 e integram o relatório chamado de “O desafio da segurança hídrica na região de Manaus e políticas de sustentabilidade”.
Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o impacto da mudança do clima na disponibilidade de água para 2040 em Manaus tem classificação ‘crítica’ para a maior parte da cidade, com alta probabilidade de que a oferta de água seja insuficiente no médio prazo.
As projeções para 2040, conforme a ANA, apontam aumento de 7% nas retiradas totais de água, com crescimento de 43% na demanda do setor industrial e de 23% no abastecimento humano.
E, conforme o estudo, esse reforça a necessidade de diversificar a matriz hídrica, poupar as fontes subterrâneas e reduzir perdas e desperdícios.
O levantamento aponta que o uso individual descontrolado da água subterrânea, nos chamados poços artesianos, pode levar ao colapso coletivo.
Falta de fiscalização
Da mesma forma, os pesquisadores concluíram que o fato de apenas 5 mil de quase 27 mil poços em funcionamento terem registro expõe a precariedade da fiscalização e do controle sobre o uso das águas subterrâneas em Manaus, tanto em relação à captação subterrânea quanto à captação superficial sem outorga.
Por fim, o estudo propõe caminhos para mitigar a escassez até 2040, entre eles estão o tratamento e o reaproveitamento de águas residuais, o reúso em processos não potáveis e a captação de águas pluviais. Além disso, diz que as empresas devem abandonar o uso de poços e a migração para a rede de abastecimento, uma vez que essa mudança gera impacto positivo na estrutura tarifária do serviço, uma vez que financia o aumento do investimento na universalização dos serviços.
Bruno Elander – Rádio Rio Mar
Foto: Águas de Manaus / Divulgação
