Amazonas tem a menor quantidade de queimadas dos últimos 25 anos em julho

No primeiro mês após a transição do período chuvoso para o seco, o Amazonas teve o menor registro de queimadas dos últimos 25 anos. Conforme o painel “Queimadas”, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os satélites identificaram apenas 122 ocorrências no Estado, quantidade que só não é menor do que as 9 de julho de 2001. Além disso, houve redução de 56% frente aos 278 registros do mesmo mês no ano passado.

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No acumulado de janeiro a julho, o Amazonas teve 300 focos de calor. Esse também é o melhor resultado desde 2001, quando houve apenas 32 incêndios de janeiro a julho. Na comparação com os primeiros sete meses de 2025, houve redução de 40% nos focos de calor.

Por outro lado, historicamente, agosto apresenta saltos significativos nas ocorrências, que costumam a se aproximar de 2 mil. No ano passado, por exemplo, foram mais de 1,8 mil e, em 2024, na última seca severa por efeito do fenômeno El Niño, houve mais de 10 mil incêndios.

O superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, acredita que esse resultado é fruto de prevenção, educação ambiental e combate a focos de calor.

“Esse resultado é um somatório de forças. Na verdade, não é um resultado apenas desse ano, um somatório dos esforços de todos esses anos, de todas as instituições envolvidas, o Estado, os municípios, a União, através do IBAMA e do ICMBio. Nós ampliamos o trabalho das brigadas de incêndios florestais. Só no estado do Amazonas nós temos oito brigadas, elas atuam no sul do Estado, em Humaitá, Lábrea, Manicoré e Apuí, principalmente no eixo da BR-230, a transamazônica. E na região central do estado nós temos em Autazes, na Terra Indígena Recreio/São Félix, no assentamento federal Curupira, em Nova Olinda do Norte, e na Terra Indígena Andirá-Marau, em Barreirinha, que são áreas prioritárias e áreas onde nós conseguimos a logística necessária para colocar as nossas brigadas. A gente pode ampliar futuramente, dependendo das demandas. E dos poios que a gente possa ter nos municípios”, disse o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo.

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, afirma que, a partir de agora, com o avanço do fenômeno El Niño, a preocupação é redobrada.

“Em julho, nós conseguimos fechar dados históricos de redução dos focos de calor aqui no Estado do Amazonas, que se referem às queimadas, aos incêndios florestais. A gente está obviamente entrando num momento agora de El Niño, que as atenções dobram. Mas o governo do Estado do Amazonas já tem feito o dever de casa. A Operação Tamoio Tatá é permanente, trabalhou todo o primeiro semestre agora na prevenção ao desmatamento e reduzir o desmatamento ajuda a reduzir a queimada, agora, neste período de verão. O corpo de bombeiros passou de 10 para 25 municípios, em especial os municípios de maior atenção para o risco de queimadas. Também o número de bombeiros deslocados nas operações que o corpo de bombeiros faz, mais 153 brigadistas dos municípios. Ou seja, já são mais de 200 pessoas atuando diretamente no combate e prevenção de incêndios. E agora, o governador, no dia 1º de junho, fez o decreto de emergência ambiental”, disse o secretário de Estado de Meio Ambiente, Eduardo Taveira.

Conforme o boletim mais atualizado do Serviço Geológico do Brasil (SGB), os Rios da região amazônica seguem em processo regular de vazante com níveis considerados normais para o período na maioria das estações.

Em Manaus (AM), o rio Negro registrou descida de 47 cm na última semana, mas subiu 8cm nessa segunda-feira e está com a cota de 27,35 m.

No rio Solimões, Tabatinga (AM) registrou redução de 65 cm, na última semana, e alcançou a cota de 5,97 m. Em Manacapuru, o rio desceu 27 cm e registrou 18,37 m.

Na bacia do rio Purus, a estação de Beruri (AM) registrou redução de 31 cm ao longo da semana passada, acompanhando a vazante do rio Solimões. A cota observada e indicada no boletim foi de 19,58 m.

O rio Madeira também segue em processo de vazante. No entanto, houve elevação temporária na estação de Porto Velho (RO) em resposta às chuvas ocorridas na parte alta da bacia. A cota registrada na capital foi de 7,32 m.

No rio Amazonas, em Careiro (AM) ocorreu redução de 28 cm, enquanto em Itacoatiara (AM) a descida foi de 37 cm e a cota atual é de 12,56 m.

Bruno Elander – Rádio Rio Mar

Foto: Bruno Kelly/Divulgação