Neste sábado, 15 de maio, é celebrado o dia Mundial de Conscientização sobre a doença celíaca. Uma condição autoimune que provoca inflamação no intestino delgado sempre que a pessoa consome glúten; proteína presente no trigo, centeio, cevada e derivados.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, a doença celíaca afeta 1,4% da população mundial. Na América do Sul, 1,3% das pessoas são diagnosticadas. Dados da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), indicam que, no Brasil, há aproximadamente 2 milhões de celíacos, sendo a maioria não diagnosticada.

Especialistas afirmam que os números podem ser ainda maiores por conta do alto índice de subdiagnósticos. A gastroenterologista, Monique Montes, destaca alguns dos sintomas e riscos de outras doenças caso não haja tratamento.
“Na doença celíaca, existe uma intolerância ao glúten imuno-mediada, causando inflamação intestinal e sintomas como distensão, diarreia e gases. A doença celíaca não controlada pode causar deficiências nutricionais, osteoporose, linfoma e até infertilidade. O diagnóstico da doença é concluído após avaliação clínica, exames de sangue e biópsia intestinal.”

O diagnóstico da doença é concluído após avaliação clínica, exames de sangue e biópsia intestinal. O tratamento é a retirada total do glúten da alimentação. Mas é preciso ficar atento a outros produtos que podem ter na composição itens relacionados, como remédios, produtos de beleza e até de limpeza.
“Na doença celíaca é importante um acompanhamento regular e o tratamento é rigoroso, não podendo ingerir nenhuma quantidade de glúten, sem exceções.”

Pequenos prazeres que agradam muitas pessoas, como comer um bolo no meio da tarde, tomar um chocolate quente no final de semana ou jantar aquela pizza, podem ser fatais para os celíacos. Toda a atenção deve ser redobrada por conta dos riscos da ingestão do glúten e da contaminação cruzada.
No Brasil, a Lei nº 10.674/2003 obriga os fabricantes de produtos industrializados a informarem de forma clara e visível a presença ou não de glúten nas embalagens. Uma exigência que garante a segurança e saúde dos celíacos. A determinação é fiscalizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A Gerlane Pimentel é mãe de duas crianças celíacas e o esposo, também, possui a doença. Com o diagnóstico em mãos, os cuidados para evitar a contaminação foram redobrados em casa.
“A primeira mudança na nossa família aconteceu na minha cozinha. Tive que trocar todos os utensílios, panelas, garfo, colher, por exemplo. Tudo aquilo que eu já tinha usado para fazer alimentos com glúten, devido a contaminação cruzada. Então, fui buscar conhecimento sobre a doença para garantir que eles tivessem uma alimentação segura em casa.”
A partir da sua experiência, Pimentel, criou um perfil nas redes sociais para compartilhar o dia a dia da família celíaca, com receitas e curiosidades, na busca de tornar mais leve o peso do diagnóstico, bem como das restrições impostas pela doença. No @meninaceliacajulia, no Instagram, já são mais de 75 mil seguidores.

Durante este mês é realizada a campanha Maio Verde de conscientização sobre os sintomas da enfermidade, a importância do diagnóstico precoce e a necessidade de seguir uma dieta sem glúten para controlar a condição. Pensando nas crianças celíacas, ela teve a ideia de produzir vários bolos com a cor da iniciativa.

“Sabemos que muitas crianças deixam de participar de festinhas de aniversário. As pessoas acabam não convidando com medo que elas passem vontade. Não participam de algumas brincadeiras na escola com massinha ou cola, por exemplo, por conterem glúten. É diferente a infância de uma criança celíaca. A intenção é mostrar para elas que é possíovel comer coisas gostosas e coloridas com segurança, sem deixar de ser criança. Com isso, também, mantemos viva essa campanha do Maio Verde.”
Ignorar o diagnóstico e continuar consumindo glúten traz complicações sérias. O acompanhamento médico contínuo é fundamental para monitorar a saúde intestinal, corrigir possíveis deficiências nutricionais e orientar o paciente em cada etapa do tratamento.
Tania Freitas – Rádio Rio Mar
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