Papa Francisco: um ano de memória e legado

Papa Francisco: um ano de memória e legado

O pontificado Jorge Mario Bergoglio começou em 2013 e marcou uma fase de mudanças na Igreja Católica. Nascido na Argentina, ele foi o primeiro papa latino-americano e escolheu o nome Francisco em referência a São Francisco de Assis, símbolo de simplicidade e cuidado com os pobres. Desde o início, ele defendeu uma Igreja mais próxima das pessoas e menos ligada a privilégios.

Um dos primeiros atos do papa foi a visita à ilha de Lampedusa, onde homenageou migrantes mortos no mar. Ao longo dos anos, ele reforçou a defesa de refugiados e cobrou acolhimento e respeito. A coordenadora da Pastoral dos Migrantes, irmã Carmem Gandra, recorda esse olhar atento aos mais frágeis.

Perdemos o nosso Papa Francisco. Ele dizia que quatro verbos são fundamentais para o trabalho com os migrantes e para que a sociedade compreenda isso. O migrante deve ser acolhido, acompanhado, promovido e integrado. Com muito carinho, a questão migratória perpassou o pontificado do Papa Francisco. Ele falou da necessidade de acolher o migrante.

O papa também promoveu mudanças internas. Ele ampliou a presença de mulheres em espaços de decisão e incentivou debates sobre o papel feminino na Igreja. Durante o Sínodo da Amazônia, abriu espaço para lideranças da região e destacou a importância da escuta das comunidades locais, com participação de religiosas como a irmã Gervis Monteiro.

O Papa Francisco abordou, com certa frequência, a questão da valorização da mulher dentro da igreja católica e no mundo em geral. Ele não deixou de continuar esse pensamento, podemos dizer, esse profetismo que denunciava o machismo, o clericalismo e a violência contra as mulheres.

O cuidado com a natureza ganhou força no pontificado com a encíclica Laudato Si’. O tema também esteve no centro do Sínodo da Amazônia, que tratou da preservação ambiental e da vida dos povos da região. Em Manaus, a integrante da Comissão de Ecologia Integral, Marcela Amazonas, destaca que a mensagem do papa inspira ações concretas na vida pastoral.

Ao falar de Papa Francisco, que não se pensa na cátedra, mas se pensa no caminho de terra batida, simples, acessível, cheio de pegadas humanas. Ele reposicionou o foco. Francisco teve coragem de aproximar o seu papado da vida comum. Ele mostrou para todos, crentes e não crentes, cristãos e não cristãos, o que é a vida. É se despojar de ego, de luxúria e amar servindo.

Na área do diálogo entre religiões, Francisco buscou aproximar diferentes crenças. Em 2019, ele visitou os Emirados Árabes Unidos e assinou um documento sobre fraternidade humana, gesto inédito na história da Igreja. Líderes religiosos afirmam que ele construiu pontes e incentivou o respeito entre diferentes tradições. O cardeal da Amazônia, Dom Leonardo Steiner, resume esse legado.

Nós tivemos um grande Papa, um Papa preocupado com os pobres, um Papa preocupado com a misericórdia de Deus, um Papa que desejou que o Evangelho fosse motivo de alegria, fosse motivo de esperança. Nós somos profundamente grátis a Deus por nos ter dado um Papa que nos ajudou a olhar para frente, abriu horizontes para a igreja, fez com que as pessoas se sentissem amadas, se sentissem pertencentes a uma igreja.

O Papa Francisco morreu aos 88 anos, em 21 de abril de 2025, após problemas de saúde. A morte ocorreu logo após a Páscoa, período central para os cristãos, que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Para muitos fiéis, esse momento reforça a mensagem de esperança que marcou seu pontificado. Um ano depois, o legado permanece em uma Igreja mais aberta, próxima dos pobres e comprometida com o diálogo.

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Rafaella Amorim, Rádio Rio Mar

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