Capitais com refinarias privatizadas tiveram o maior aumento na cesta básica em março

manaus, amazonas, cesta, básica, refinaria, combustíveis, gasolina, dieselManaus e Salvador foram as capitais nas quais o preço da cesta básica mais aumentou durante o mês de março, conforme a pesquisa mensal do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em comum, as duas cidades têm o fato de que as refinarias de petróleo que abrigam foram privatizadas, em 2021 e 2022, e passaram da Petrobras para empresas.

 

Essa correlação foi apresentada pelo economista do Dieese, Cloviomar Cararine Pereira, em audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, na semana passada, que discutiu as oscilações e repasses nos preços dos combustíveis, no País.

“A ideia de privatizar a refinaria, que o preço ia cair e que aumentasse a produção, não aconteceu. É o contrário. É muita coincidência que Salvador e Manaus foram as capitais que mais subiram o preço da cesta básica. São as cidades aonde tem refinaria privatizada”, disse o economista do Dieese, Cloviomar Cararine Pereira.

Conforme o último levantamento do Dieese, a cesta básica aumentou 7,42% de fevereiro para março, em Manaus, pois passou de R$ 628,90 para R$ 675,56. Portanto, R$ 46,66 a mais. Em Salvador a alta foi de 7,15%, de R$ 617,94 para R$ 662,14. Ambas têm refinarias privatizadas.

O economista disse ainda que, as medidas governamentais, de isenção de impostos para conter as altas nos preços dos combustíveis, atém têm impacto de curto prazo para o consumidor, mas, ao longo do tempo, se traduzem em aumento de lucro para o agronegócio que integra a cadeia dos biocombustíveis, e não dos donos de postos.

O diretor do Sindipetro-AM, Jonatas Santos, também participou de uma das audiências públicas, e expôs, na Câmara dos Deputados, a realidade da população amazonense.

O representante do Sindipetro-AM também lembrou das promessas quando houve a venda da refinaria de Manaus para a iniciativa privada.

Diante das exposições, o Presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustiveis), James Thorp Neto, afirmou que os donos de postos de combustíveis são reflexo das práticas da cadeia de produção e não elevam a margem de lucro. Mas defendeu que aqueles que cometem ilegalidades, sejam punidos.

Além disso, o presidente da Fecombustíveis afirmou que, para os donos de postos de combustíveis, não há benefício caso os preços aumentem para o consumidor e disse que, em condições de legalidade, quanto mais barato, melhor.

Bruno Elander – Rádio Rio Mar

Foto: Divulgação

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