O Ministério Público do Amazonas (MPAM) ajuizou ação civil pública contra o município de Manaus para exigir o licenciamento ambiental do Cemitério Municipal Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, zona oeste. A medida foi adotada após a constatação de que o espaço funciona sem licença ambiental, em descumprimento à legislação vigente.
Segundo investigação da 50ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Histórico (Prodemaph), o local opera regularmente, com média de 25 sepultamentos diários, mas sem qualquer autorização ambiental emitida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
Conforme o relatório técnico de fiscalização, não há registros de licenciamento, instalação ou ampliação do empreendimento junto ao órgão ambiental. Além disso, notificações e autos de infração haviam sido formalizados anteriormente contra a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), sem que houvesse a devida regularização.
De acordo com o MPAM, a ausência de licenciamento impede a avaliação dos impactos ambientais da atividade, especialmente quanto ao risco de contaminação do solo e do lençol freático pelo necrochorume – líquido resultante da decomposição de corpos, com alto potencial de poluição e risco à saúde pública.
O cenário é considerado ainda mais preocupante por conta da existência de valas comuns abertas durante a pandemia da Covid-19, o que pode intensificar a infiltração de substâncias contaminantes no solo.
Apesar de diversas tentativas de solução, incluindo reuniões e requisições formais, o Município de Manaus não apresentou avanços concretos para a regularização ambiental do cemitério. Ainda segundo o MPAM, houve omissão administrativa prolongada e ausência de resposta a solicitações recentes.
A ação, assinada pela promotora de Justiça Lilian Maria Pires Stone, requer que o município apresente, no prazo de 30 dias, o comprovante de solicitação do licenciamento ambiental.
Com informações da assessoria
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil