Acesso precoce às telas acelera adultização infantil no Brasil

Fabio Rodrigues Pozzebom – Agência Brasil

Dados do Núcleo Ciência Pela Infância mostram que 44% das crianças de até dois anos acessam a internet. Entre aquelas de 3 a 5 anos, o índice chega a 71%, o que reduz o tempo dedicado ao brincar, à convivência familiar e às interações presenciais.

O levantamento indica que 69% das crianças de baixa renda ficam expostas a tempo excessivo de telas. Em muitos lares, celulares e tablets substituem a presença dos adultos, o diálogo e o acompanhamento do desenvolvimento emocional e social das crianças.

O pediatra Dr. Eduardo Jorge Custódio, do grupo de trabalho de Saúde Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria, afirma que a exposição precoce às telas compromete a linguagem, os vínculos afetivos, a regulação emocional e as habilidades sociais.

Segundo ele, esse cenário favorece a adultização infantil, ao antecipar o contato com comportamentos, responsabilidades e conteúdos incompatíveis com a idade.

Especialistas orientam pais e responsáveis a estabelecer limites claros para o uso das telas, acompanhar o conteúdo acessado e incentivar atividades fora do ambiente digital. A recomendação é fortalecer a presença adulta, priorizar o brincar e proteger o desenvolvimento saudável da infância.

Rafaella Amorim, Rádio Rio Mar

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